Música eletrônica
6 matérias publicadas na Revista ROLÊ sobre Música eletrônica.
ROLÊ.bpmDo Berghain ao Baile de Favela: o que conecta pistas tão distantes?
O que existe em comum entre o porão mais famoso da música eletrônica mundial e os becos onde acontecem bailes de favela? Mais do que sonoridades diferentes, ambos os espaços surgem da necessidade de criar territórios de liberdade em contextos marcados por exclusão, vigilância e disputa. Neste ensaio, exploramos as conexões entre a cultura dos clubes underground europeus e a potência criativa do funk brasileiro, observando como o som, o corpo e a dança se tornam ferramentas de resistência, identidade e sobrevivência.
SINARA SILVA · 31 de julho de 2026
PosfácioPor que o B2B se tornou a linguagem mais viva da pista
Poucos formatos cresceram tanto na cultura eletrônica recente quanto o B2B. Presente em clubes, festivais, coletivos independentes e eventos underground, o encontro entre dois DJs deixou de ser apenas uma atração especial para se transformar em uma linguagem própria dentro da pista. O motivo vai além da curiosidade ou do apelo de reunir artistas conhecidos. O B2B produz algo raro em tempos de experiências altamente planejadas: imprevisibilidade. Quando dois repertórios, duas leituras de pista e duas trajetórias dividem a mesma cabine, surge um espaço de negociação criativa que desafia o controle absoluto e devolve à música seu caráter de acontecimento. Ao mesmo tempo, o formato recoloca em evidência valores históricos da cultura eletrônica, como comunidade, troca e construção coletiva. Em um cenário frequentemente atravessado pela lógica da individualização e do estrelato, o B2B aponta para outra direção. Ele sugere que algumas das experiências mais memoráveis da noite acontecem justamente quando ninguém tenta brilhar sozinho.
FIIH Spagnolo · 31 de maio de 2026
ROLÊ.bpmQuem tem medo do techno e do corpo que ele liberta?
Existe uma pergunta que atravessa gerações da cultura eletrônica: quem tem medo do techno? A resposta raramente está no som em si, mas no que ele representa. A partir do material do ROLÊ BPM, este editorial revisita as origens do techno em Detroit, criado por jovens negros em meio à crise industrial dos anos 80, para entender como esse gênero se consolidou como uma tecnologia cultural, política e corporal. Longe de ser apenas uma estética sonora repetitiva, o techno nasce como linguagem de resistência, onde corpos marginalizados encontram na pista um espaço de reorganização simbólica. Ao longo do tempo, o gênero foi apropriado por mercados globais, embranquecido e transformado em tendência, mas suas raízes seguem vivas em coletivos, festas independentes e movimentos que insistem em manter a pista como território de disputa e invenção. Este texto expande essa trajetória, articulando história, corpo e política para além do discurso superficial. Porque entender o techno não é apenas reconhecer um estilo musical. É reconhecer o que acontece quando o corpo vira linguagem e a pista vira futuro possível.
17 de abril de 2026
DicasCelular no rolê e o corpo em risco na cultura da pista
À primeira vista, saber onde guardar o celular no rolê pode parecer uma preocupação prática, quase banal. Mas o material do ROLÊ BPM revela algo mais profundo: a relação entre corpo, risco e presença na pista nunca foi neutra. A escolha entre uma pochete colada ao corpo, uma doleira escondida ou um bolso improvisado diz menos sobre estilo e mais sobre como cada pessoa negocia sua própria segurança em um ambiente que historicamente sempre operou no limite. Este editorial parte de uma pergunta simples para desenvolver uma análise mais ampla sobre a cultura da noite. Ao longo da história da música eletrônica e das cenas underground, a pista sempre foi um espaço onde o corpo não apenas dança, mas se expõe, se protege e se reinventa. Em contextos marcados por exclusão social, violência urbana e desigualdade, estratégias de cuidado deixam de ser detalhe e passam a ser parte da própria performance. Mais do que listar dicas, o texto investiga o que essas práticas revelam sobre o presente da cena: uma pista onde liberdade e vulnerabilidade coexistem, e onde até a forma de guardar um celular se torna um gesto político.
FIIH Spagnolo · 12 de abril de 2026
ROLÔU e RENDEURolou e Rendeu — A semana em que a cultura acelerou
De Itaipava a Paris, de São Paulo a Dubai, a primeira semana de novembro foi um turbilhão de música, polêmica e reinvenção. O Rock The Mountain encerrou sua edição com energia e propósito, o Balaclava Fest reafirmou o poder do alternativo e Kanye West reacendeu o debate entre arte e ética ao ter seu show vetado em São Paulo. Nos streamings, ROSALÍA, Madonna, Katy Perry e Hilary Duff dominaram a sexta mais pop do ano, enquanto Anyma, Charlotte de Witte e Mha Iri incendiaram o techno global. O R&B renasceu com Miguel e Rema, e o K-pop viveu sua própria crise de identidade. No Brasil, a cena regional e as festas híbridas continuam redefinindo o que é “estar na pista”. O ROLÊ mergulhou fundo para entender o que esses movimentos dizem sobre o presente e o futuro do entretenimento.
FIIH Spagnolo · 09 de novembro de 2025
EditorialJá agradeceu o DJ que escreveu a história da tua noite?
Mais do que tocar músicas, DJs escrevem histórias com som. Cada set é um enredo coletivo, feito de pesquisa, curadoria e escolhas que ecoam política, memória e emoção. Este artigo mergulha na autoria invisível da pista e no papel do DJ como contador de histórias contemporâneo.
FIIH Dorneles · 11 de outubro de 2025