Cultura urbana
5 matérias publicadas na Revista ROLÊ sobre Cultura urbana.
InstitucionalA violência contra mulheres também é responsabilidade dos homens
Existe uma pergunta que homens raramente fazem uns aos outros. O que fazemos quando a violência acontece diante de nós? A resposta costuma ser desconfortável porque desloca o foco da figura do agressor para um sistema mais amplo de permissões, silêncios e omissões. Quando o debate sobre violência contra mulheres aparece, muitos homens rapidamente assumem uma posição defensiva, como se a discussão estivesse limitada à identificação de criminosos. Mas feminicídio, assédio e violência de gênero não surgem do nada. Eles são produzidos por ambientes culturais onde determinados comportamentos são tolerados, minimizados ou ignorados. A vida noturna oferece um retrato particularmente revelador dessa dinâmica. Nas pistas, nos bastidores, nos grupos de amigos e nos espaços de convivência, pequenas permissões ajudam a sustentar práticas que colocam mulheres em situação constante de vulnerabilidade. Refletir sobre esse cenário não significa transformar a cultura em tribunal moral. Significa reconhecer que uma cena cultural saudável depende da segurança de quem a constrói. E isso exige uma conversa que os homens precisam ter entre si com mais frequência, mais honestidade e muito menos complacência.
FIIH Spagnolo · 01 de junho de 2026
InstitucionalQuando a pista vira plataforma: o que a história do ROLÊ revela sobre a cultura contemporânea
Durante participação no Programa Playlist, da Rádio Gaúcha, Filipe Dorneles compartilhou reflexões sobre a origem do ROLÊ, os caminhos da cultura noturna e os desafios de construir uma plataforma cultural em tempos dominados por algoritmos. A conversa oferece um ponto de partida para discutir transformações que atravessam a cena cultural contemporânea. Mais do que contar a história de um projeto independente, ela ajuda a compreender como comunidades são formadas, como a curadoria se tornou uma ferramenta de pertencimento e como os eventos culturais passaram a ocupar um papel cada vez mais relevante na construção de identidades coletivas. Em um cenário marcado pela disputa permanente por atenção, iniciativas que conectam artistas, produtores e público assumem funções que ultrapassam a simples divulgação. O caso do ROLÊ revela uma mudança maior em curso: a busca por espaços capazes de produzir significado, memória e conexão em uma cultura cada vez mais mediada por plataformas digitais.
FIIH Spagnolo · 01 de junho de 2026
InstitucionalPor que a cultura precisa de perguntas mais do que respostas
Toda vez que um debate se forma em torno de um tema cultural, surge uma expectativa silenciosa de que alguém apresente uma resposta definitiva. Quem está certo? Quem está errado? Qual posição deve prevalecer? Em um ambiente digital moldado por opiniões rápidas e julgamentos instantâneos, a busca por conclusões absolutas tornou-se quase automática. Mas a cultura raramente funciona dessa maneira. Ela se desenvolve através de disputas simbólicas, divergências, interpretações e negociações constantes de significado. É justamente nesse espaço que a mediação cultural encontra sua relevância. Mais do que validar posições ou encerrar discussões, seu papel consiste em criar condições para que conversas aconteçam. O posicionamento institucional do ROLÊ parte dessa compreensão. Ao propor reflexões sobre comportamento, estética, entretenimento e vida noturna, o projeto não busca estabelecer verdades finais sobre a cena. Busca ampliar perspectivas. Em vez de oferecer respostas prontas, procura formular perguntas capazes de gerar movimento. E talvez seja justamente essa disposição para sustentar o diálogo que continue sendo uma das contribuições mais importantes da comunicação cultural contemporânea.
FIIH Spagnolo · 01 de junho de 2026
DicasRolê com chuva: quando o temporal vira parte da experiência
Existe uma espécie de reflexo condicionado que acompanha qualquer previsão de chuva no calendário cultural: cancelar planos, adiar encontros e considerar que a experiência será automaticamente pior. Mas quem frequenta pistas, festivais, shows e festas ao ar livre sabe que a relação entre clima e entretenimento é bem mais complexa. Em muitos casos, a chuva altera a dinâmica do evento, muda a circulação das pessoas, cria novos desafios logísticos e redefine expectativas. Ainda assim, também produz momentos que dificilmente seriam replicados em condições perfeitas. Este artigo explora a forma como a chuva influencia a cultura dos rolês, a preparação do público e a construção de experiências coletivas. Entre capas transparentes, tênis adequados, pistas cobertas e festivais que seguem apesar do mau tempo, existe uma cultura de adaptação que faz parte da identidade de quem ocupa a cidade e participa das cenas culturais. Mais do que um guia de sobrevivência, trata-se de uma reflexão sobre como alguns dos momentos mais memoráveis da vida noturna acontecem justamente quando o planejamento encontra o imprevisível.
FIIH Spagnolo · 31 de maio de 2026
EditorialA gente ainda sabe se emocionar no teatro?
Em tempos de excesso digital e consumo acelerado de imagens, o teatro reafirma seu lugar como experiência viva, coletiva e sensorial. Este editorial investiga como as novas dramaturgias dialogam com a cidade, a noite e o comportamento contemporâneo, ao mesmo tempo em que enfrentam o desafio de competir com a lógica das redes sociais. Entre experimentação, presença e identificação, o palco se transforma e se expande, mas mantém sua essência: provocar emoção real. A pergunta que fica é direta, e talvez incômoda, ainda sabemos sentir?
12 de abril de 2026