Cultura digital
3 matérias publicadas na Revista ROLÊ sobre Cultura digital.
ROLÊ.bpmQuando a pista virou videogame e ninguém percebeu
Durante muito tempo, videogames e vida noturna pareciam pertencer a universos diferentes. Um ocupava quartos iluminados por telas. O outro habitava pistas escuras, clubes e festivais. Hoje, essa divisão faz cada vez menos sentido. A estética gamer atravessou a cultura pop de forma tão profunda que passou a influenciar a maneira como festas são produzidas, como artistas constroem suas identidades visuais e até como o público escolhe se apresentar ao mundo. Avatares, interfaces futuristas, experiências imersivas, narrativas gamificadas e comunidades digitais deixaram de ser elementos exclusivos dos jogos para se tornarem parte da linguagem contemporânea do entretenimento. A transformação não acontece apenas na aparência. Ela alcança a música, o comportamento, a moda e as formas de pertencimento que organizam a cultura jovem. O resultado é uma noite que já não pode ser compreendida apenas como espaço físico. A pista tornou-se uma extensão de universos digitais que acompanharam uma geração inteira durante sua formação cultural. Entender essa transformação ajuda a compreender não apenas o presente da cena, mas também as direções que ela parece tomar nos próximos anos.
FIIH Spagnolo · 01 de junho de 2026
EditorialA ressaca da era digital e o cansaço coletivo do FOMO
A ressaca da era digital não começa na manhã seguinte, mas no próprio ato de tentar acompanhar uma vida que nunca desacelera. Entre eventos perfeitos no feed, comparações infinitas e a obrigação silenciosa de estar sempre presente, surge um novo cansaço que atravessa a cena cultural e redefine como vivemos a noite, a criatividade e até o descanso. O FOMO ocupa um lugar central nesse esgotamento, alimentando a sensação permanente de que estamos perdendo algo, enquanto o JOMO surge como contraponto possível, oferecendo respiro e escolha num mundo saturado de estímulos. Neste editorial, o ROLÊ mergulha nas dinâmicas emocionais e culturais que moldam nossa hiperconexão, a mudança de comportamento da Geração Z, o impacto das redes na maneira como nos relacionamos com a noite e a crescente sensação de desconexão mesmo em meio a multidões. Um texto que busca provocar, informar e inspirar novas formas de presença para recuperar a vibe real que existe antes do filtro.
FIIH Spagnolo · 14 de novembro de 2025
EditorialPor que os teatros estão vazios enquanto o TikTok está lotado?
O teatro atravessa um momento paradoxal: enquanto vídeos curtos lotam timelines com performances, dublagens e experimentos criativos, muitas salas enfrentam cadeiras vazias e dificuldades para atrair público. Este editorial investiga por que essa diferença de atenção existe e como ela revela mais sobre os hábitos contemporâneos do que sobre a relevância do palco. A partir do debate gerado no Instagram do ROLÊ e das reflexões trazidas no material original, exploramos conceitos como atenção profunda, presença e cultura digital, analisando como o público tem descoberto arte pelas telas antes de chegar à plateia. O texto não propõe competição entre teatro e redes sociais, mas aponta que o digital pode ser porta de entrada, convite e provocação. Também contextualiza desigualdades entre grandes centros e cidades menores, onde o acesso ao teatro ainda é limitado e a comunicação precisa evoluir. Entre silêncio, rolagem e reencontro, este artigo busca compreender como a cena pode se reprogramar sem perder suas raízes.
FIIH Dorneles · 13 de novembro de 2025