Cultura da pista
2 matérias publicadas na Revista ROLÊ sobre Cultura da pista.
ROLÊ.bpmFunk é cultura e nunca pediu permissão
Poucos gêneros musicais carregam tanta contradição quanto o funk. Ao mesmo tempo em que domina plataformas digitais, dita tendências estéticas e ocupa o mainstream, segue sendo alvo de preconceito, criminalização e apagamento. A partir do material do ROLÊ BPM, este editorial revisita a trajetória do funk desde suas raízes nos bailes das periferias do Rio de Janeiro até sua consolidação como uma das linguagens culturais mais potentes do Brasil. Mais do que um estilo musical, o funk se estabelece como tecnologia social e política. Ele organiza narrativas, cria pertencimento e transforma o corpo em instrumento de expressão coletiva. Em contextos marcados por desigualdade, violência e ausência do Estado, o baile se torna espaço de existência, e cada batida carrega mais do que ritmo, carrega relato. Ao longo do texto, são exploradas as tensões que atravessam o gênero, do boicote histórico à apropriação contemporânea, passando pela centralidade dos corpos dissidentes e pelo papel da pista como território simbólico. Porque entender o funk exige mais do que escutar. Exige reconhecer quem constrói, quem lucra e quem ainda paga o preço por fazer a cultura acontecer.
FIIH Spagnolo · 04 de maio de 2026
PosfácioQuando o som cura
Você já saiu de uma festa sentindo que estava mais leve do que entrou? Nem sempre é só a música. Este posfácio investiga a pista como espaço de cuidado coletivo, onde som, corpo e encontro operam processos reais de cura emocional, social e simbólica. A partir de referências culturais, científicas e históricas, o texto conecta experiências que vão do Baile Charme de Madureira ao Afropunk Bahia, dos ballrooms de Nova York às raves clandestinas da antiga URSS, mostrando como dançar sempre foi mais do que diversão. É ritual, resistência e sobrevivência. Com apoio de estudos em musicoterapia e exemplos da cena contemporânea, o editorial reflete sobre como algumas festas se tornam memórias que permanecem no corpo e ajudam a sustentar a vida quando ela pesa.
FIIH Spagnolo · 18 de janeiro de 2026