Cena queer
5 matérias publicadas na Revista ROLÊ sobre Cena queer.
EditorialCasas noturnas estão envelhecendo ou só pararam no tempo?
A sensação de que as casas noturnas estão ficando velhas não nasce de uma nostalgia geracional, mas de um descompasso estrutural entre o que a cultura da noite sempre foi e o que parte do mercado insiste em manter. A partir do material editorial do ROLÊ BPM, este texto investiga como a performance deixou de ser um elemento marginal para se afirmar como tecnologia central da experiência underground, articulando estética, política e pertencimento. Ao mesmo tempo, aponta como coletivos e ocupações urbanas redesenharam a lógica da pista, deslocando o foco do espaço físico para a construção simbólica de comunidade. O artigo também tensiona a diferença entre incorporar performers como recurso visual e sustentar uma cultura performática viva, além de refletir sobre os riscos de transformar dissidência em produto. No centro dessa discussão está o corpo, especialmente os corpos dissidentes, que historicamente moldaram a pista como espaço de invenção e resistência. Mais do que um diagnóstico, o texto propõe um reposicionamento urgente para quem ainda acredita que a noite se sustenta apenas com estrutura, line-up e repetição.
FIIH Spagnolo · 12 de abril de 2026
EditorialCena queer fora do eixo: o Brasil LGBTQIA+ além de SP e RJ
A cena queer brasileira vai muito além dos grandes centros. Em diversas cidades do interior e de médio porte, coletivos, festas e festivais constroem circuitos próprios, fortalecendo redes locais, movimentando a economia e criando novas linguagens culturais. Este editorial mapeia alguns desses movimentos e mostra como a descentralização da cultura LGBTQIA+ amplia possibilidades de existência, pertencimento e criação no Brasil.
FIIH Spagnolo · 31 de março de 2026
PosfácioOrgulho, Resistência e Pista
O Dia do Orgulho é celebrado no mundo inteiro como símbolo de liberdade e visibilidade, mas sua origem remete a um cenário completamente diferente: confronto, dissidência e coragem coletiva. Em 1969, durante a revolta de Stonewall, travestis, drag queens, pessoas negras e latinas se levantaram contra décadas de perseguição policial. Esse momento não inaugurou o movimento LGBTQIAPN+, mas tornou visível o que já acontecia há muito tempo: a recusa em desaparecer. Desde então, a pista, o palco, o baile e a rua se tornaram territórios onde a comunidade cria mundos possíveis. No Brasil, onde o orgulho continua sendo gesto de autodefesa, a cultura queer constrói casas, coletivos, festas e linguagens que influenciam profundamente o mainstream, ainda que nem sempre recebam reconhecimento. Este artigo revisita essa trajetória, conectando história, estética e política para entender por que dançar ainda é um ato radical. A pista não é cenário. É arquivo vivo, abrigo, profecia e resistência.
FIIH Spagnolo · 15 de novembro de 2025
PosfácioTodo palco é político: por que presença, corpo e arte importam no rolê
O palco nunca é neutro. Cada corpo que ocupa uma cena carrega história, disputa e resistência. Este posfácio parte da provocação do ROLÊ para refletir sobre como o ato de subir no palco, dançar na pista ou performar no bar da quebrada se transforma em gesto político, mesmo quando a intenção é só fazer arte. A partir das imagens e trechos do POSFÁCIO 2, exploramos a potência da presença dissidente, a relação entre linguagens da margem e territórios de criação, e o impacto da curadoria na formação de imaginários culturais. Também pensamos sobre como a pista é um espaço de experiência radical, onde corpos que antes foram silenciados inventam novos futuros enquanto dançam. Este texto não busca doutrinar a cena, mas iluminar o que já está acontecendo: a arte que nasce da vivência real é, por natureza, uma forma de resistência. A festa é política. O palco é político. A cultura do rolê é construída por quem tem coragem de ocupar espaços que antes foram proibidos, e por quem está disposto a ouvir mais do que o aplauso.
FIIH Dorneles · 13 de novembro de 2025
Na VitrineGLAMAZON #1 — Quando o brilho volta a ocupar a pista
Porto Alegre volta a brilhar com a estreia da GLAMAZON #1, festa que promete reacender a chama da cena drag local. Idealizada por Alexandre Arena Filho, a noite traz uma homenagem à cultura queer através de uma estética inspirada em Wicked e O Mágico de Oz. No palco, Mellody Queen e Bhelchi, do Drag Race Brasil, se juntam à icônica Natasha Princess, além das performers locais Ayö e Tiffany Plazza, em um espetáculo de brilho, música e identidade. Mais que uma festa, a GLAMAZON surge como ato político e celebração da arte transformista, uma retomada da alegria de viver que há tempos a cidade esperava.
FIIH Dorneles · 11 de novembro de 2025