Quem paga a conta humana do entretenimento?

    Shows, festas, festivais e feiras dependem de uma força de trabalho muito maior do que aquilo que aparece no palco. Técnicos, produtores, montadores, seguranças, bartenders, fotógrafos, equipes de limpeza e profissionais temporários formam uma cadeia atravessada por terceirização, trabalho por projeto e diferentes graus de formalização. Dados do IBGE mostram que, em 2024, 44,6% das pessoas ocupadas no setor cultural estavam em ocupações informais e 43% trabalhavam por conta própria, embora esse recorte seja mais amplo do que o mercado de eventos. Esses números não permitem tratar autonomia profissional como sinônimo de precarização. A questão central está nas condições concretas da relação: quem define preço, jornada e prazo, quem assume deslocamento e equipamentos, quem absorve cancelamentos e quem possui margem real para recusar um trabalho. A partir de pesquisas acadêmicas, dados institucionais, legislação e debates públicos recentes, o artigo investiga como dinheiro, tempo, proteção e risco são distribuídos na economia da cultura ao vivo e por que crescimento econômico não significa, automaticamente, trabalho protegido.

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