Quem educa o seu ouvido?

    A inteligência artificial amplia possibilidades de criação musical, mas também recoloca uma questão anterior à própria tecnologia: como se forma uma linguagem artística? A partir da relação histórica entre música eletrônica e ferramentas de produção, Sinara Silva discute a importância do repertório, da pesquisa, da curadoria e da experiência acumulada na construção de critérios próprios. O texto parte do techno de Detroit, do house de Chicago e das práticas de artistas independentes para observar como tecnologias podem democratizar processos sem necessariamente substituir a formação cultural que sustenta escolhas. Ao aproximar música, escrita e sistemas generativos, o artigo questiona os efeitos da aceleração, da repetição de padrões e da automação sobre a escuta. Na cena underground, onde festas, selos, rádios e comunidades também funcionam como espaços de circulação de conhecimento, a questão ganha dimensão coletiva: ferramentas podem expandir uma visão artística, mas não produzem, por si mesmas, o repertório capaz de atribuir sentido às escolhas.

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