Quando o funk entrou na pista eletrônica?
A presença crescente do funk em clubes, festivais e sets internacionais recoloca uma pergunta antiga: ele entrou recentemente na música eletrônica ou sempre fez parte dela? A reportagem percorre a formação dos bailes cariocas, a relação com electro e Miami bass, a nacionalização das gravações, as bases Volt Mix e tamborzão e a aceleração do 150 BPM para mostrar como a produção eletrônica estrutura a história do gênero. O percurso chega às vertentes paulistas do mandelão e da bruxaria, às apresentações de DJ K e à circulação de produtores brasileiros em pistas internacionais. A análise diferencia os cruzamentos artísticos legítimos da apropriação que retira o som de seu contexto sem garantir crédito e participação a seus criadores. Também examina a distância entre a consagração em clubes e a disputa histórica pela realização dos bailes, documentada na legislação fluminense de 2009. A tese desloca o foco da suposta descoberta do funk por outras pistas para as hierarquias que definem quais práticas recebem o nome e o prestígio de música eletrônica.