Quando a nostalgia virou mercado?

    O Dia das Crianças também permite observar um fenômeno de consumo adulto: a procura por canções, brinquedos, personagens, peças de roupa e festas associados à infância e à adolescência. Este editorial investiga como a nostalgia, um sentimento ligado à memória pessoal e ao pertencimento, participa hoje de operações comerciais que incluem turnês de reencontro, relançamentos, colecionáveis, remakes e a estética Y2K. O retorno do RBD aos estádios brasileiros em 2023 serve como caso central para examinar a passagem de uma referência juvenil a um espetáculo de grande escala. Pesquisas acadêmicas ajudam a distinguir o valor psicológico das lembranças de seu uso em estratégias de consumo, enquanto os exemplos de Tamagotchi, Barbie e da moda dos anos 2000 ampliam o olhar para outras linguagens. A análise também examina quem pode pagar pelos reencontros, quais memórias são selecionadas pelas marcas e por que os repertórios periféricos ou locais nem sempre recebem o mesmo investimento. A proposta não é ridicularizar quem volta ao passado, e sim entender como desejos legítimos podem ser organizados e precificados pela indústria, sem esgotar outras formas de lembrar.

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