Quando a IA faz arte, quem é o artista?
Uma imagem criada com inteligência artificial pode ser bela, perturbadora e culturalmente relevante. Isso não responde quem é seu autor, quem detém os direitos de exploração nem se os materiais usados para treinar o sistema foram obtidos legitimamente. Esta reportagem da Arte.ROLÊ parte da disputa envolvendo a imagem premiada de Jason M. Allen para investigar as diferentes camadas da autoria algorítmica. Recupera antecedentes da arte computacional, incluindo a pesquisa brasileira de Waldemar Cordeiro e o sistema AARON de Harold Cohen, e confronta a tradição experimental com o mercado contemporâneo de geração automática. A análise distingue prompt, direção artística e intervenção humana; examina o uso de obras protegidas no treinamento de modelos e as reivindicações de transparência e remuneração; e reúne evidências acadêmicas sobre a percepção de artistas e públicos. Na legislação, compara a Lei de Direitos Autorais brasileira com o debate em torno do PL 2721/2024 e de uma emenda apresentada em junho de 2026, sem confundir proposta com lei. O argumento central é que a pergunta sobre quem fez a obra precisa incluir também quem alimentou a ferramenta, quem trabalha e quem se beneficia economicamente dela.