Fela Kuti: quando a música se torna infraestrutura política

    Às vésperas do aniversário de Fela Kuti, nascido em 15 de outubro de 1938, a Revista ROLÊ investiga a dimensão material de sua atuação política. O ponto de partida é Lagos em 1977, quando o Afrika Shrine reuniu uma programação alternativa ao FESTAC patrocinado pelo governo militar nigeriano. A partir desse conflito, o texto acompanha a formação do afrobeat, a contribuição rítmica de Tony Allen e da Africa ’70 e o papel das composições longas, da dança e do inglês pidgin na criação de um público para a crítica social. A reportagem examina o Shrine como espaço de apresentação, trabalho e convivência, a Kalakuta Republic como comunidade dissidente e a violência estatal que destruiu parte dessa estrutura em fevereiro de 1977. Recupera ainda a história autônoma de Funmilayo Ransome-Kuti e as contribuições das mulheres conhecidas como Queens, sem esconder conflitos de gênero, hierarquia e remuneração. Por fim, considera a transmissão do repertório pelas gerações seguintes e as diferenças entre afrobeat e Afrobeats. A pergunta central não é se Fela foi músico ou militante, mas como sua obra dependeu de lugares e relações que também disputavam poder na cidade.

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