Ballroom em Porto Alegre: memória, expansão e disputa por espaço

    Em poucos anos, a Ballroom deixou de depender de treinos improvisados em espaços públicos para formar uma rede de Houses, Balls, oficinas e ocupações culturais em Porto Alegre. O crescimento, porém, não elimina as questões que acompanham a cultura desde sua formação: quem estabelece os códigos, quem transmite a memória, como as Houses organizam cuidado e pertencimento e o que acontece quando linguagens criadas por comunidades negras e LGBTQIAPN+ circulam para públicos cada vez maiores. Este artigo reconstrói parte dessa trajetória, da formação do sistema de Houses em Nova York à territorialização brasileira, antes de voltar à capital gaúcha, onde a primeira Ball documentada em 2019 abriu caminho para uma cena que em 2026 já reúne nove Houses. A Casa de Tarântula e a X-Men Ball funcionam como ponto de observação desse presente: uma House que relaciona seu próprio nome à memória da perseguição a travestis e transforma a metáfora dos mutantes em categorias de corpo, moda, voz e performance.

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