Afinal, o que cabe dentro da sigla MPB?
A sigla MPB parece uma descrição simples da música popular produzida no Brasil. Na prática, nomeia uma formação histórica mais restrita, consolidada a partir dos festivais televisivos da década de 1960 e associada à bossa nova, à canção de protesto, ao samba e à Tropicália. No Dia Nacional da Música Popular Brasileira, instituído pela Lei nº 12.624/2012 para 17 de outubro, aniversário de Chiquinha Gonzaga, a Revista ROLÊ examina a distância entre o sentido literal da expressão e seus usos como categoria artística, comercial e símbolo de prestígio. A reportagem recupera a história de Chiquinha, os circuitos que formaram a MPB e a crítica às hierarquias de gosto. Em seguida, enfrenta as perguntas que a etiqueta costuma evitar: onde entram funk, sertanejo, rap, trap e tecnobrega? Pesquisas sobre bailes, música negra, aparelhagens de Belém, rap paulistano e sertanejo mostram que gêneros produzem trajetórias próprias e não dependem de uma chancela externa para integrar a cultura brasileira. A tese distingue o valor histórico da sigla de seu uso como medida de qualidade. Preservar a tradição exige ampliar a escuta, não abolir as diferenças entre cenas musicais.