Acessibilidade em eventos começa antes da entrada
Quando a acessibilidade de um evento é resumida a uma rampa ou a uma área reservada, o debate termina justamente onde deveria começar. A Lei Brasileira de Inclusão trata acessibilidade como condição de uso com segurança e autonomia, e o direito à cultura envolve participação em igualdade de oportunidades. ([Presidência da República][1]) Na prática, isso atravessa toda a jornada do público: informação antes da compra, plataforma de ingressos, transporte, entrada, circulação, banheiros, atendimento, conteúdo, Libras, audiodescrição, sinalização, áreas de descanso, condições sensoriais e possibilidade de pedir suporte sem depender de improviso. Pesquisas sobre festivais e música ao vivo mostram que barreiras aparecem tanto no desenho físico quanto na burocracia de acesso, na comunicação e no preparo das equipes. ([DOI][2]) Para pessoas autistas e outros públicos neurodivergentes, previsibilidade, controle de estímulos e espaços de recuperação também podem definir se a permanência é viável. ([PMC][3]) Acessibilidade, portanto, precisa ser tratada como parte da produção e não como correção de última hora.